Dentista para Crianças - Que ser é este?

10 de Fevereiro de 2009 @ 10:20 - Dra. Carmem
Arquivado sob Odontopediatria, Educação, Vivências | Link desta publicação | Enviar por e-mail

Às vezes quando digo que sou dentista e trato de crianças, me sinto um ET!
Difícil descrever a fisionomia da pessoas nessa hora.
Algumas mostram-se incrédulas, algumas demonstram compaixão.Como se eu fosse alguma Madre Teresa. E muitas vezes escutei: “Ainda bem que tem gente prá tudo!”
O que leva uma dentista que só trata de crianças, ter satisfação no que faz? Que tipo se ser é este?

A resposta de uma mãe, pelo fato de eu agradecer e dizer sinceramente que havia sido um prazer tratar de sua filha, fez com que eu me dedicasse ao tema.

Ela me respondeu espantada, talvez desconfiada de minha sinceridade: “Não sei como você pode ter tido prazer em atender uma criança que tanto chorou e gritou!!

Seria um esforço desnecessário ir contra as reações mais diversas que uma criança possa ter num consultório dentário. Apenas não tomo nem uma delas como pessoal. Elas têm o direito de se manifestarem como puderem, pois desconfiam de minhas intenções, têm receio quanto aos procedimentos e ainda não têm capacidade de ficarem quietinhas e colaborarem por um tempo maior.

Cada uma tem uma estória familiar diferente, que eu também respeito, e que de forma nenhuma desperta em mim sentimentos de crítica, o que intoxicaria meu coração e fígado. As escolhas pessoais não podem despertar simpatia e antipatia em um profissional de saúde , pois assim, trataríamos só de quem “gostássemos” ou de quem compartilhássemos as decisões.

Quando qualquer ser humano não se sente intimidado pela crítica, consegue abrir-se para escutar novas possibilidades e avalia mudanças de posição.

Como dentista que trata unicamente de crianças, estou acostumada a acompanhar estórias de vida.
Para finalizar, vou contar uma tocante.

Acompanho essa criança desde bebê, e sempre percebi que o garoto era demasiadamente irritadiço, agitado, agressivo, com reações bastante exageradas. A mãe sempre justificando.
Hoje ele tem 6 anos, e, outro dia na cadeira, do nada, ele veio com essa, assim mesmo: “Sou um inútil, não faço nada direito!”
Parei, pois foi a primeira vez que alguém admitiu um descompasso. O que antes para mim e para a equipe era dúvida do que realmente acontecia e de como pudéssemos mudar o quadro, virou acolhimento dentro das dificuldades que ele se encontrava. A partir daí, pudemos facilmente achar mais situações para elogiá-lo. E ele se transformou em um príncipe.
Comentei o mais despreocupadamente possível com a mãe, sobre as palavras de seu filho, e ela abriu a caixinha: estava tendo problemas com ele na escola, o garoto estava sendo medicado por causa de sua agitação, estava preocupada com sua falta de habilidade motora e ele era discriminado até por parentes.

Conclusão: é muito fácil ser dentista de crianças, não precisa fazer força!
É só aceitar as pessoas como elas são, como dão conta de ser; mesmo quando os pais não conseguem acolher seus filhos em suas características, a criança se revela inteira para nós, num gesto de confiança que faz brotar em nós a recordação de que somos essencialmente seres amorosos e de que só assim, reconhecendo nossa natureza, vale a pena viver.

Saiba mais sobre esse assunto acessando nosso site. Clique aqui.

Dra. Carmem Silvia - Dentista para Crianças

Nosso site:www.clinicaamai.com.br

E-mail: doutora.carmem@clinicaamai.com.br

Twitter: http://www.twitter.com/doutoracarmem

Ainda sem comentários »

RSS de comentários deste artigo. URI para link desta publicação:

Deixe um comentário


Hits para esta publicação: 657

Clínica Amai | http://blog.clinicaamai.com.br